quinta-feira, 18 de julho de 2013

A vida não segue as normas da ABNT!


A vida não segue as normas da ABNT! Nem tampouco obedece aos bons modos franceses à mesa ou a pontualidade inglesa. A vida é uma coisa louca. Um labirinto infinito cheio de portas e, em regra, a que está no caminho iluminado não será sempre a mais interessante ou a que te levará aos teus objetivos mais rapidamente.

A minha vida, em particular, tem sido um enorme emaranhado de lindos caminhos que se cruzam e se unem me levando ao ponto onde eu queria estar... ou quase... Não estar exatamente lá é um incentivo para continuar a batalha para chegar ao cume, mas muitas vezes é difícil aceitar que a estratégia pode não ter sido  a correta, tampouco pode gerar exatamente o resultado esperado.

Na vida real, na maioria das vezes as coisas podem não sair como planejado. Nós traçamos planos, estabelecemos metas, montamos o cronograma da nossa vidinha com tanto cuidado e deixamos nosso castelinho de cartas impecável...  Mas basta uma delas fora do lugar para todo o resto vir a desmoronar... Eu sei... as cartas representam as expectativas e, dizem por aí que é necessário saber lidar com as frustrações decorrentes das expectativas não atingidas.

Ainda que se tenha certo jogo de cintura e habilidades de improviso... Haverá um momento em que aquela carta lá de cima, a qual era o depósito de expectativas maiores do que o próprio castelo (embora ele seja mais importante), vem ao chão... E nos deixa ali, sem eira nem beira... É preciso aprender a lidar com isso, aprender a improvisar, quebrar alguns protocolos para persistir na jornada, apesar das quedas das cartas (digo e repito à mim mesma).

Se fomos criados para ser massa de manobra, escravos das nossas expectativas, temos hoje o direito de saber que o cabresto que nos colocam para seguir sempre em frente é mais uma arma para nos manter na linha, obedientes, privados das belas paisagens que podem existir ao nosso redor e que sequer percebemos. Uma carta cai, outras ficam e se aglomeram em fila para serem colocadas em seus lugares...

Se não tiras o cabresto continuas sempre obedecendo ordens e seguindo em frente em uma rotina de cartas caídas e de passos que nem sequer escolhestes pra ti. Seguir em frente nem sempre é a melhor opção. Quando falo em persistir na jornada, quero dizer-lhes que muitas vezes, precisamos retroceder, dar uns pulinhos, parar um pouco, virar de ponta cabeça, derrubar o castelo inteiro... analisar todos os ângulos para começar de novo.

Perde-se muito da vida ao seguir sempre em linhas retas. Por que as estradas da vida não são auto-pistas europeias, são caminhos de roça, esburacados, por entre montanhas, cheios de altos e baixos e desvios inesperados. O caminho da vida segue como um rio cheio de pedras, as águas desviam pra lá e pra cá, levando os água-pés das margens com elas, como bem entendem. 

Se segues sempre reto, acabas batendo com a cabeça na pedra e aí, tomara que a cabeça seja mais dura do que parece. Quem segue sempre reto, acaba indo mais devagar do que os outros, por que ao invés de usar a cintura e, como as águas, contornar as pedras do caminho, acaba tendo que empurrá-las pra conseguir passar. O esforço, que parece necessário, é extremamente dispensável.

Não estou criticando quem adota ritmos mais disciplinados que o meu, eu venho aprendendo aos poucos que ter metas e objetivos é necessário e que a paciência é sim uma arte e uma virtude, mas pra mim, é explícita a controvérsia adotada por aquele que peregrina em linha reta, achando que é o caminho mais curto segundo as lógicas matemáticas, mas que se esquece que a vida não é um teorema. É preciso aprender a improvisar, mesmo com a queda dos castelos!

Embora pareça, alterar o cronograma ou atrasar-se não é de um todo ruim. Atrasar a rotina as vezes pode te possibilitar encontrar no caminho pessoas diferentes daquelas que pegam o mesmo ônibus todos os dias, descem sempre no mesmo ponto, com as mesmas caras de falta de novidade. Se você ficar um pouco mais e pegar a hora do rush, corre o risco de aproveitar melhor alguém que está sentado ao seu lado no café... ou no banco do carro.

É preciso abrir os olhos, espiar pela fechadura de todas as portas antes de seguir o protocolo e permanecer em linha reta apenas lamentando o que já se foi. Ao adentrar uma porta sempre existirão inúmeras outras que estaremos deixando pra trás. Aí, se você segue o caminho tracejado sempre na mesma direção, corre um grande risco de estar se abstendo de portas muito mais coloridas do que aquela que estava bem na sua frente e que você abriu e entrou sem olhar pros lados...

Agora, se você já entrou e criou expectativas, ordenou as suas cartas, não olhe pra trás, vamos fazer desta a melhor porta de todas, e aprender a lidar com as expectativas frustradas... Tudo bem... afinal... estamos sempre criando novas mesmo, o castelinho de cartas é infinito! Li em um livro infantil uma vez e nunca esqueci que, "tudo está bem quando acaba bem... se não está bem é por que ainda não acabou"! Certo?

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